:: Polietileno ::Aço escovado, faz de conta que sou eu. | ||||||||
| :: welcome to Polietileno :: bloghome | contact :: | ||||||||
|
:: Quarta-feira, Dezembro 28, 2005 :: Comments: - Quem vem lá?:: Segunda-feira, Dezembro 05, 2005 :: Comments: Estou morto. Partido ao meio, nenhuma unha, seco até a alma. Acabou. De verdade mesmo, nenhuma gota de mojo para me felicitar, é o medo que se aproxima. Não quero ninguém por perto nessa hora, vão embora por favor. Deixem-me de lado, de bruços, coberto até a face. Quem são vocês para falar alguma coisa? São merda nenhuma. Tampo o bueiro, fico dentro. Desse cheiro é que gosto. Mentira: não gosto de nada. Mentira: não amo ninguém. Mentira, verdade é o que eu quero nesse resto de vida. Olho as minhas pegadas, nada vejo, atrás há nada. É uma pena, essa de viver e olharparatrásenãovernada. É uma pena, essa de viver e não fazer nada, não valer nada, não valho nada. Verdade: valho nada. Verdade: morto é lugar, o velho mentiu. As pernas torcidas para trás, os dedos enfiados nos olhos. Nada vejo, nada sinto. Quem vê? Quem sente? Ninguém vê e ninguém sente, todos apontam, todos mentem, dão desculpas. É uma pena, é isso que eu vivo, é nisso que eu morro. Que o Diabo me leve, que nunca me tragam de volta, que me larguem no inferno, que minha pele nunca pare de queimar, que a agonia seja eterna. Cortem meus mamilos. Acabem logo de uma vez. Acabem-se logo de uma vez, após. Me deixem em paz, é isso que peço, não retiro uma palavra sequer do que disse. Ao se olharem no espelho espero que morram. E eu sei que vão morrer. E não demorará. É uma pena. É uma dó. Meu Deus, acabo-me de chorar.
|
|||||||
|
|
||||||||