:: Polietileno ::

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:: Segunda-feira, Julho 11, 2005 :: Comments:

Texto simples de amor, esperança, encontros inesperados e outras coisas boas.


O grupo de garotos corria freneticamente floresta adentro. O que ia mais a frente devaneava sobre o lugar, as árvores, o solo coberto de folhas secas, o sol que custava a aparecer por entre as copas, era de fato um ambiente meio onírico. Os garotos soltavam algumas gargalhadas afoitas, gritavam coisas uns para os outros, estavam envoltos num clima de euforia. Trezentos metros depois, a luz do sol varreu-lhes as caras com mais intensidade: agora estavam correndo numa clareira que não mostrava fim.


Os quatro que iam mais recuados viram com desespero o que ia mais na frente desaparecer num passo em falso, como se caísse num desfiladeiro invisível, dragado por um buraco que, de repente, tinha-se posto exatamente debaixo dos seus pés. Frearam a corrida, tropeçando e respirando ofegantes. Andaram alguns metros temerosos, apoiando-se uns nos outros. Bem ali, como que traçado à régua, encontrava-se de fato um grande penhasco. Os quatro garotos arrastaram-se para a borda e, apontando os olhos para baixo, puderam ver um enorme lago e lá no meio dele, balançando os braços, o garoto.


Os de cima gritaram que fique aí, que iremos buscar ajuda, que não demoramos. O de baixo só pôde assentir, coitado dele. Passaram-se horas. O garoto sabia que o acampamento ficava longe dali e começava a se arrepender de ser garoto e de ter a idade que tinha e de ter visto tanta graça em sair correndo com os amigos, largado a família preparando a comida, dixá-la preocupada agora que tinha caído dum penhasco. Sorte a minha que não tive nada e que aqui na margem desse lago eu tenho uma sombra pra me abrigar.


Já havia passado mais de três horas que o garoto havia caído e desesperançoso, olhava fixamente para o centro do lago. De repente pôde notar um vulto caindo e ato contínuo, um barulho e muita água jogada para cima. O garoto postou-se de pé assustado: uma garota vinha nadando do centro do lago. Correu até a margem e ajudou a menina a se levantar, puxando-a para debaixo de uma árvore.


-Você está bem?
-Estou sim, só um pouco de dor nas pernas, caí de pé. E você, que é que está fazendo aqui?
-Eu estava brincando com meus amigos, correndo lá em cima. Não reparei o buraco e acabei caindo. Eles foram buscar ajuda, mas já faz muito tempo. Na certa não conseguiram chegar aqui de novo. Você também estava brincando lá em cima? Caiu do penhasco?
-Não, eu caí de outro lugar.
:: RODOLFO RIBEIRO 1:25 PM [+] ::
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